Incomum
Lugares Comuns ocupa um lugar
incomum no corpo da obra que João Luís Barreto Guimarães (n. 1967) tem vindo a dar à estampa desde a estreia, em 1989, com a colectânea de sonetos intitulada
Há Violinos na Tribo. Neste caso, o que temos é um livro de pequenas histórias – há quem lhes chame, por insistência, poemas em prosa – todas elas escritas à quinta-feira, numa mesa do Café Corcel, no Porto, entre o Outono de 1994 e o Verão de 1995. Publicado em Junho de 2000, na saudosa Mariposa Azual, este livro não poderia ser mais desconcertante, sobretudo se nos atentarmos aos tomos que o precederam. Os textos, devidamente datados, captam instantes da vida quotidiana, retratam os espaços de convívio com um sentido poético inusitado, indagam, como que
voyeuristicamente, e com um sentido de humor bastante depurado, as malhas com que se costura o dia-a-dia urbano. Três exemplos, dos mais mínimos: «29 DE FEVEREIRO // O meu copo de água tinha menos goles do que o teu. (p. 37)»; «23 DE MAIO // Este fósforo corre risco de vida. (p. 52)»; «22 DE AGOSTO // À porta da casa de banho dos homens senta-se ocasionalmente, uma ou outra mulher. (p. 68)»
João Luís Barreto Guimarães
Lugares ComunsEdição Mariposa Azual