Se fadado fosse este amor inventado na luz do sol e aquecido perante a lua, contaria as horas e deixaria o vento entrar pelas ondas da cidade onde o mar se esqueceu de abraçar esta ternura sem tristeza.
Não estaríamos separados pelo sal do esquecimento, e sim lembrados pelo sal do desejo.
Se fossemos assim fadados não choraríamos nos oceanos pelo que nunca aconteceu, saberíamos acontecer nas estrelas, como se de dois rios nascêssemos e na mesma foz salgada as nossas águas doces se encontrassem.
Invadiríamos os pensamentos quebrados pelas lágrimas, das alegrias tiraríamos as escolhas de doces palavras, nos abrigaríamos num imenso fado e nos amaríamos dentro de intenso oceano amoroso.
Mas este nosso amor não é fadado.